segunda-feira, 5 de março de 2012

Absurdo


Em 1995, um homossexual que cuidava de mim, brincava comigo, cortava meus cabelos, saia pra passear comigo e me protegia, foi assassinado brutalmente pelo simples fato de ser gay. Em 2012... vejo acontecer a mesma coisa por aí. EVOLUA, SOCIEDADE ASQUEROSA. Não quero mais perder os meu queridos, não quero mais que eles sofram.

Morte aos clichês



Jantar romântico? Não. Vamos comprar qualquer bebida, assistir qualquer filme e pedir uma pizza? Odeio ter que ficar sentada na frente de uma pessoa tendo que conter meus gestos escandalosos e ouvir ela dizer "vai querer comer o quê?". Sem falar que não existe coisa mais chata do que comer "a dois" e não poder fazer disputa de arroto, né? Espero que se alguém um dia for me pedir em casamento, coloque a aliança, sei lá, num pacote de Cheetos, pendurada na minha escova de dentes, enfiada no meu sabonete, na carteira de cigarros... tudo, menos naquelas caixinhas pretas que se abrem numa mesa com um carinha tocando violino do lado. Não vejo romantismo em etiquetas. Bem, isso tudo foi só pra dizer que assim como Motéis, eu acho jantares românticos broxantes. Pra mim, dizer: "Vamos a um Motel?" é a mesma coisa de dizer "Quer que eu pague um quarto pra a gente fazer aquele sexo combinado e sem graça?".
Será que eu sou anormal? Sou uma pessoa 'sem classe'?
Às vezes fico me questionando sobre isso. Sempre chego a conclusão que sim, eu posso ser uma pessoa sem classe, sem etiquetas, sem educação, sem normas... e que abomina pessoas cheias disso. Porém, acho que existem pessoas assim como eu, em algum lugar do mundo e que por ironias do destino nós vamos nos encontrar num lugar qualquer, bebendo a coisa mais barata que estiver vendendo e que vamos nos dar muito bem, passar dias e noites deitados n'uma cama, com as pernas esticadas, comendo porcarias, assistindo futilidades, falando da vida alheia, brigando de vez em quando pra não nos tornarmos uma dupla de chatos e por aí vai.
Bem, desculpem-me os casaizinhos (sim eu digitei no diminutivo pra diminuir vocês) que são clichês/corretos, mas vocês não passam de bonecos-infláveis um do outro, ou de troféus a serem exibidos pra os amigos um do outro. Pra mim, relacionamentos de verdade são aqueles que contém, além do belo, as mazelas mais terríveis!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Bílis


Toda carapuça te serve muito bem. Qualquer disfarce que cubra teus nervos, qualquer papel que te dêem que não seja o de viver.
Você é tão bom quanto um câncer que atinge a corrente sanguinea, meu amigo, mas provavelmente se acha a cura da AIDS.
Você é tão importante quanto mijar no banho pra economizar a água do planeta.
Sabe o que você deve fazer com seus conceitos medíocres? Juntar com suas opiniões, seus amigos e sua família, fazer um cone e sentar em cima.
O grande erro do mundo é achar que ódio é coisa ruim e que você deve amar todos. Imagina que merda seria um mundo em que todos se amassem? O ódio nos move, nos humaniza. Nem que seja uma raiva e uma vontade de matar de vez em quando.
O quão desumano é um sujeito que mata outro que lhe fez mal? Se matassem tua família ou estuprassem tua filha de 8 anos, você iria deixar "nas mãos de Deus"? ou ia amarrar essa pessoa num pedaço de madeira e arrancar um pedaço dela todo dia? Começando pelas extremidades.
Você é tão hipócrita que fica se consumindo por dentro pra fazer a linha da paz.
Eu realmente gostaria de ter o poder de deletar algumas pessoas do mundo,do meu mundo. Parece que quanto mais você decide não conviver com aquela pessoa, o mundo arranja um jeito de fazer ela aparecer no meio dos seus planos e do seu dia-a-dia. Só pra você olhar na cara dela e imaginar como ela deve ficar bonita sem pele.
Algumas pessoas eu nunca conversei, mas me dão vontade de vomitar. Seus trejeitos, seus 'status', sua roda de amigos, me dão asco. Nem preciso ter um diálogo de cinco horas pra saber que são nojentas e despresíveis. Posso passar a mesma impressão pra elas.
Na minha cidade no fim de semana, tem tanta gente asquerosa que só uma bomba atômica resolveria.
Porém, tenho meus amigos e os respeito. Sou verdadeiramente fiel a quem gosto, até demais, eu diria. Sinto saudades e uma certa revolta quando elas decidem brincar de teatro e vestem uma fantasia qualquer. O mínimo de autonomia que devemos ter é andar com os próprios pés e manter uma personalidade, mesmo que essa seja suja aos olhos de muitos, mas é tua e não é pior do que a de ninguém.
Uma das unicas coisas que me orgulho na vida é de ter os MEUS valores, com a MINHA opinião, que desde criança sempre foi própria.
Faz o teu enredo, o fim tu já sabe: uns sete palmos abaixo do teu 'sambar'.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Sarcasmo imediato


Abriu os olhos, olhou o relógio como de costume. Levantou-se, caminhou até o banheiro e lavou o rosto, como de costume. Sentou-se na cadeira ao lado da cama e ficou durante um tempo esperando o resto do corpo acordar, como de costume.

Aquele dia não era como os outros. Tinha decidido que não seria. Ainda não conseguia perceber a diferença.
Observou seus livros, sua anotações, suas roupas, as fotos espalhadas pelo quarto, passou a mão por toda a cama, sentiu o cheiro dos lençóis. Realmente, se amava muito. Tinha conseguido construir uma vida, uma casa, uma carreira. Conseguiu ser excelente em quase tudo que fez. Tinha um orgulho imenso de ser quem era, mas sentia-se sempre fora de si, menos agora... nesse despertar.
Calçou os sapatos, vestiu o casaco, saiu no jardim.
O vento tocou seu pescoço, levantou levemente os cabelos e fez com que ela fechasse os olhos por alguns segundos. Abriu as mãos e deixou que os primeiros pingos de chuva caíssem sob elas, levantou a cabeça e não saiu dali. Lembrou de quantas vezes fugiu da chuva, quantas vezes amou na chuva, quantas vezes olhou a chuva ou simplesmente a ignorou.
Abriu o portão e pisou na rua.
Caminhou afundando os pés nas poças d'agua e sentindo o 'saplicar' da terra nas pernas. Chegou até uma praça, sentou-se em um banco cheio de folhas caídas e ferrugem. Olhou em volta e respirou profundamente. Conseguia sentir o mesmo cheiro de anos atrás, quando esteve alí, naquela praça, quando aquele banco ainda era branco, quando a tinta ainda não havia descascado, assim como a sua própria cor. Ah, como queria ter só mais um pouco aqueles dias, não os queria pra sempre, mas os queria sempre que desse vontade.
Voltou a caminhar, passando a mão nas paredes, tocando as plantas... sentia saudade de tudo, da sua vida ativa. Até do trânsito maldito, da fila enorme, do ônibus que demorava. Preferiu não pensar nos amigos e nos amores, a vida mecânica do dia-a-dia parecia-lhe fazer mais falta do que sentimentos incômodos.
Caminhou de volta pra casa, já tinha 'viajado' até onde queria.

Lembrou-se da torta que havia feito no dia anterior, resolveu comer um pedaço. Pela primeira vez tinha acertado nas medidas, ficou realmente muito boa. Ah, aquela toalha de mesa... não combinava com isso. Aquela toalha de mesa não combinava com nada, aliás, aquela toalha de mesa era a causa de todos os dias que ela acordou de mau humor. Ganhara de presente de casamento, foi só o que sobrou dele. Lembrou-se do primeiro almoço em família, onde o fogão explodiu e seu quadro do Dalí foi cremado. Daquele bendito dia, só sobrou esta toalha de mesa.
- Cinco meses de 'desquitada' e ainda estou na merda. - pensou em voz alta.
O telefone toca:
- Sim.
- Oi, é o Fábio.
- Pode dizer...
- O assunto é um pouco chato, mas estou precisando da casa essa semana, no máximo. Combinamos que você ficaria no apartamento e eu na casa, mas já fazem 3 meses e ...
- Okay - desliga o telefone.

Não se importava com a casa, não se importava com ele, não se importava com nada. Só conseguia sentir ódio.
Pegou a toalha de mesa, jogou álcool e riscou o fósforo.
Sentou na cadeira e observou. O fogo subia na cortina, que ela odiava. Se alastrava pelo tapete, que ela odiava. Queimava o sofá, que ela odiava.
Seu ultimo ato foi atirar a torta no fogo, depois saiu. Não queria morrer, pelo menos não queimada.
Discou o número, ele atende:
- A casa é sua.

Acendeu um cigarro e esperou alguém ligar para os bombeiros.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Construindo sem Chico.


Cansei de ler sobre amor, cansei de ver gente escrevendo sobre amor, cansei de falar de amor. Quero coisas mais concretas e relevantes.
Comecei o dia já fincando os dois pés no chão, enfiando os dedos entre os cabelos e olhando uma garrafa vazia de água... e isso é tudo. Não há nada de filosofia e poesia no meu despertar. Aliás, no seu também não há.
É tão bonito camuflar a realidade enfiando palavras bonitas e pensamentos distantes pra fugir do que realmente existe, mas às vezes cansa. Eu cansei disso tudo. Chega a ser, em grande parte das vezes, filosofia de rodoviária e pensamento de acovardados, que tentam desaparecer como o branco no branco, o preto no preto.
Não gosto de ser sempre rabugenta, mas ser flutuante demais me deixa fraca. As pessoas são traiçoeiras e mascaradas como psicopatas de filmes de terror, todos somos. Não porque somos ruins, mas porque somos cínicos e egoístas, e não me venha se defender com bondade e suas frases feitas, você com certeza já foi tão escroto quanto todos.
Pessoas com opiniões e conceitos demais te apontam o dedo freneticamente, igual aquele botão do semáforo, que nunca serviu pra nada! E se eu não quiser parar?
O pior é que nos perdemos no meio disso tudo, no meio de toda essa falsidade que só te leva para a merda. No final, eu vou abrir meu olho e enfiar meus dedos entre os cabelos e olhar a garrafa de água do mesmo exato jeito, e você e o mundo e todas as opiniões significaram tanto quanto ter 10 centavos e querer comprar cigarro.
Prefiro construir meu muro, sentar numa cadeira bem confortável e de vez em quando jogar uma corda pra puxar algo de bom.
Sempre soube pescar, o problema é a espera, ela também cansa.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Quarto


Dedicado às quatro estações de 2010. Não sou poeta, portanto, não há regras de estrutura.


O Quarto
08/12/2010

Ainda era verão quando abri a porta
Raios de sol entravam pela janela
Sentei-me no corredor
O cheiro me encantou.

No outono eu entrei
Era nublado lá fora
Deitem-me na cama úmida
A ilusão me aqueceu.

No inverno tranquei a porta
Lá fora choviam navalhas
Encostei-me no canto da parede
O silêncio me acolheu.

Na primavera abri a janela
Não haviam flores
Subi no parapeito
O vento me confortou.